Uma mãe que nos escreveu: A azáfama do dia-a-dia

Recebemos a carta de uma mãe, que aqui vos deixamos, para percebermos a perspetiva no papel de uma mãe.


Como mãe, sim, preocupo-me com o bem-estar do meu filho, não só físico e mental, mas também emocional. Esforço-me e incentivo-o a partilhar comigo o que sente, como correu o seu dia na escola e o que se passou com ele nas 9 ou, às vezes, 10 horas que passamos separados… se pararmos para pensar, é muito tempo que passamos longe dos nossos filhos, com eles entregues a educadores, professores e auxiliares, que fazem o nosso papel de pais. Tenho para mim, que cada um de nós faz o melhor que pode e sabe, acima de tudo somos humanos e antes de sermos pai ou mãe, somos uma alma, uma pessoa com os seus desejos, medos, anseios, frustrações e sonhos. Depois de prepará-lo para a escola e me preparar para o trabalho, pequeno-almoço a correr porque já são horas de irmos e não podemos chegar atrasados, enfrentar mais um dia de trabalho, stress, alegrias e frustrações… chega o final do dia… cansados e saturados, só queremos que nos sirvam um copo de vinho e esquecer o mundo lá fora...


Mas vais à escola buscar aquela alminha cheia de vida e vontade de fazer coisas, porque esteve preso numa escola 9 horas e tens de arranjar paciência e entusiasmo, sabe Deus onde, e fazer o melhor que consegues… ir ao parque, jogar à bola, brincar às escondidas… enfim… algo que os façam sentir a ligação e a atenção das pessoas mais importantes das suas vidas, os pais….Tem dias que sim, que consegues, tem dias que não, em que a única opção é o tablet sim, admito e não critico. Muitas vezes só queres um momento de silêncio, de sossego, onde não queres ouvir nada nem ninguém, apenas estar… E isso também é legítimo e justo. Na vida, aprendi que para tudo deve existir equilíbrio e respeito, por ti em primeiro lugar e pelo outro, respeito pelos nossos ritmos e ciclos. As tecnologias existem, sim muito mais que no nosso tempo, é uma realidade! Todas as crianças jogam, vêm vídeos, youtube, facebook, instagram, tudo isso é uma realidade para todos nós. Como podemos proibi-los de os usar, de aceder, de desfrutar de toda essa panóplia de aplicações que estão hoje ao nosso dispor? Como disse, com equilíbrio e com regras, é possível. A regra de que o tablet é para ser utilizado apenas no fim de semana, ou uma hora no final do dia. Cada pai deverá saber como ajustar essas regras.


Quando temos esses dias mais complicados, e precisas de um bocadinho só para ti, para ouvires aquela música, para relaxar um pouco, para desfrutares do teu copo de vinho, enfim, devemos ser sinceros e explicar-lhes que foi um dia complicado, que houve algumas chatices, que estamos tristes e que precisamos de, por exemplo, uma hora a sós... Eles vão brincar um pouco e nós temos um tempo a sós e após este tempo, podemos brincar juntos e fazer o tal jogo já com outra disposição e abertura. Por experiência própria, digo-vos que resulta. Eles entendem mais do que nós imaginamos. Equilíbrio, sinceridade e muito amor são os ingredientes necessários.


Com equilíbrio e bom senso, podemos incluir o tablet nas nossas vidas, sem lhe dar o protagonismo de ator principal. Ele poderá conviver alegremente com as bonecas, a bola de futebol, a plasticina, os legos, jogar à escondidas e à macaca, desde que, os pais se imponham e criem regras saudáveis para o convívio e crescimento de toda a família.


Patricia Martins, mãe de um menino de 8 anos


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