Sente que as expectativas dos outros são um travão?
As expectativas funcionam muitas vezes como uma espécie de guia para que cada um oriente a sua ação e analise se está ou não a conseguir corresponder ou a conseguir evoluir. No entanto, é fácil esquecermo-nos que somos todos seres singulares e que, por isso, as expectativas que balizam a evolução de alguns de nós, para outros de nós podem simbolizar travões e bloqueios ao dia a dia e ao crescimento.
A verdade é que, por entre o correr dos dias, é demasiado fácil que cada um se distancie de si, da sua essência, para dar lugar a uma espécie de piloto automático, que procura corresponder a expectativas sem pensar com clareza sobre elas e, muitas vezes, em detrimento daquilo que se é. Nestas circunstâncias, as expectativas assumem bloqueios, por norma, esses bloqueios implicam diversos medos, como o medo de desiludir quem deposita as suas expectativas, o medo de falhar ou até o medo de não pertencer.
E, de repente, em vez de existir um centramento em tudo aquilo que se espera da vida, do trabalho, de si próprio, há um centramento em tudo aquilo que os outros esperam e desejam.
A verdade é que as expectativas representam crenças, desejos e perspectivas que se têm acerca do que é suposto acontecer com a vida dos outros ou de nós próprios. Sendo claro que a maior parte das vezes, quando alguém deposita expectativas fá-lo com a melhor intenção, mas o resultado acaba por não se traduzir em impulsionar quem está a ser alvo dessas expectativas, mas sim restringir e condicionar.
Porque a pessoa sente-se a falhar, pouco adaptada àquilo que seria de esperar de si e isso gera um impacto psicológico significativo, aumentando os níveis de angústia e sofrimento emocional.
É, por isso, essencial que se procure diluir as crenças e expectativas sobre as pessoas que são importantes para nós, ao mesmo tempo que cada um de nós deve procurar reunir os recursos internos necessários para conseguir balizar-se pelas suas próprias necessidades, ambições e desejos. Ou seja, é essencial que cada um de nós reúna esforços para não ficar bloqueado a expectativas que não se adaptam à sua forma de ser e de agir.
Lembrando que deixar de se bloquear pelas expectativas dos outros implica em primeiro lugar saber-se quem se é e o que se quer, para que, posteriormente, se possa definir limites com assertividade em relação às expectativas dos outros. E, a partir daí, abrir espaço a uma vivência mais livre, mais fluida e mais espontânea.










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