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Qual o papel dos diagnósticos na saúde mental?

há 11 minutos
2 min de leitura

A saúde mental de cada indivíduo resulta de um amplo conjunto de fatores, sejam fatores pessoais, sociais ou de contexto. A verdade é que a saúde mental é determinante para o bem-estar de forma global, para a saúde física e para a performance nas mais diversas áreas. 


Uma saúde mental equilibrada é um excelente preditor do sucesso e do bem-estar. No entanto, muitas vezes, resvala-se para uma visão muito redutora  daquilo que é a saúde mental e para uma visão que se limita a olhar para sintomas, que procura definir diagnósticos estanques sem antes compreender cada pessoa, cada fragilidade no seu todo. 


Neste contexto, é essencial termos consciência que cada sintoma tem o poder de mascarar diversas angústias, diversas fragilidades e, por isso, a origem de um mesmo sintoma pode ser múltipla. Sendo que para chegar à origem de um sintoma é preciso percorrer um longo caminho clinicamente rigoroso e exaustivo, não sendo desejável que qualquer diagnóstico seja colocado antes de se percorrer este caminho. 


Neste contexto, é essencial ter clareza de que aquilo que diferencia a saúde da doença mental, é muitas vezes uma linha muito ténue. A verdade é que muitas vezes se vivenciam várias dores emocionais que não representam por si só um diagnóstico clínico estruturado que deve acompanhar aquela pessoa, ou aquela criança, para a vida. Representam antes um conjunto de sinais e de sintomas, que naquela fase de vida precisam de atenção, de cuidado e estratégias adequadas para inverter o cenário e a sintomatologia existente.

E, é por isso, absolutamente importante olharmos com responsabilidade para o excesso de diagnósticos que se estão a colocar ao nível da saúde mental, que não só não veem acompanhados de estratégias clarificadoras e promotoras de mudança, como se assumem como algo estanque e inalterável. E, é precisamente aqui que reside o perigo, uma vez que quando se olha para um diagnóstico como uma condição irreversível que acompanhará alguém para a vida, naturalmente reúnem-se menos esforços no sentido de amenizar fragilidades e promover a saúde e as competências. 


  É, por isso, essencial que exista a consciência clara de que a saúde mental quer da criança, quer do adulto, é altamente mutável e passível de oscilações decorrentes quer da estrutura interna de cada indivíduo, quer do seu meio. Também por isso, nunca um diagnóstico deve ser utilizado como um cartão de visita e uma premissa que define a identidade de alguém. Qualquer pessoa deve ser integrada como muito mais do que o seu diagnóstico nos mais diversos sentidos da sua existência. 


Ainda assim, um diagnóstico — quando há critérios clínicos que o justifiquem — deve ser funcionar como um guia que permite orientar e clarificar cada pessoa, cada família e cada profissional de saúde quanto às estratégias mais adequadas para promover competências e esbater as fragilidades. Um diagnóstico deve sempre primar por um introduzir clareza e não por se limitar a introduzir um rótulo.


Perante tudo isto, em saúde mental nunca nos devemos esquecer que é essencial olhar para lá de tudo aquilo que é superficial e evidente, e no fundo, a preocupação deve centrar-se na compreensão da dor do indivíduo e na transformação efetiva de recursos com vista a uma saúde mental mais equilibrada. 



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