Sente que está no limite?
Um dos grandes desafios da vida está intimamente ligado à capacidade de lidar com as emoções, particularmente com as emoções que despertam rasgos mais agressivos, como por exemplo, a raiva.
Torna-se desafiante porque aquilo que, por norma, se aprende é a conter as emoções, a conter os rasgos mais agressivos que emergem na sequência da vivência de emoções mais intensas. E esta aprendizagem é absolutamente contraproducente para o equilíbrio e para o bem-estar de cada um de nós.
A verdade é que o despertar da raiva ou de rasgos mais agressivos, é saudável. Revela que o mundo interior está, de forma ativa, a reagir ao ambiente e às injustiças que vão surgindo, e, por isso mesmo, é capaz de expressar as vivências emocionais e de reagir de acordo com todos os apelos e necessidades que essas mesmas vivências estão a implicar.
Por outro lado, é essencial termos consciência que é quando se dá o bloqueio das emoções e dos rasgos de agressividade que se contribui de forma clara e manifesta para o adoecer emocional. E, é de contenção, em contenção, que a pressão se torna cada vez mais intensa e que empola cada vez mais no interior de cada um.
E, na sequência deste crescer de contenção, a percepção que se tem é que se está à beira de um colapso, à beira da explosão, muitas vezes apelida-se esta percepção de cansaço, mas representa muito mais do que isso. Porque sempre que se evita o vivenciar e a expressão emocional, inevitavelmente, gera-se pressão interna, que a longo prazo leva ao colapso físico ou emocional.
É, perante tudo isto, essencial manter claro que são os movimentos agressivos que permitem que cada um de nós se consiga proteger e encontrar o equilíbrio, uma vez que é através desses movimentos que há uma maior capacidade de se definir limites e de se garantir que as necessidades de cada um são asseguradas.
No entanto, se a contenção emocional acabar por assumir uma constante, a agressividade passa a dar lugar à violência e, nestas circunstâncias, há uma maior probabilidade para o agir de forma impulsiva, sem a capacidade de processar toda a informação acerca do nosso mundo exterior e acerca do nosso mundo interior. No fundo, quando surge o rasgo de violência, os filtros acabam por se perder, a capacidade de autorregulação também e nasce o perigo do agir imediato sem capacidade de reflexão adequada à situação.
Assim, se se sente no limite de si, lembre-se que olhar para o seu mundo interior e expressar tudo aquilo que está a vivenciar é a saída viável, para se permitir a drenar as suas emoções, os seus conflitos internos e para evitar o colapso a partir de rasgos mais violentos.
No fundo, o equilíbrio e a saúde atingem-se quando há a capacidade de ouvir os sinais emocionais e físicos que surgem e, quando em tempo real se consegue responder a esses sinais de forma adequada, garantindo assim que não se chega a situações limite para cada um de nós.










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