Piolhos e Bullying, existe uma relação?

1) Se pudesse definir para quem ainda não entende bem o conceito, o que diria que é o bullying?

O Bullying representa sempre violência, no fundo, quando estamos perante situações de bullying estamos perante atos de violência intencional, com vista a provocar mal-estar no outro. Regra geral, em situações de bullying há um desequilíbrio de forças e há um elemento que se sente significativamente mais forte do que o outro, seja a nível físico, seja a nível social ou intelectual. Estes comportamentos tendem a ocorrer de forma repetida e a violência pode ser física ou psicológica.



2) Como é que a sociedade ainda vê o facto de uma criança ter piolhos?

Apesar de atualmente já se verificar cada vez mais tolerância e respeito pelas crianças que têm piolhos, de já estarem desmistificados alguns factos sociais comumente associados aos piolhos, a verdade é que quando uma criança tem piolhos há a tendência para que as outras crianças se afastem e para que os pais tendam a incutir esse afastamento. Isto acontece pela forma como rapidamente os piolhos passam de criança para criança e, todas as famílias, tendem a querer evitar que os piolhos cheguem às suas casas.


3) A pediculose (piolhos) pode gerar bullying, nomeadamente nas escolas?

O bullying pode ser gerado por diversos fatores, alguns deles até bastante simples e aparentemente inofensivos, por isso, a pediculose não é excepção e pode ser um dos elementos para despertar comportamentos violentos e de descriminação nas escolas.



4) Como evitar que isso aconteça? Como educar a criança para ver os colegas com piolhos como colegas merecedores de respeito e aceitação?

É essencial que haja sensibilização nas escolas para todas as diferenças e situações que podem surgir e os piolhos não são excepção, uma criança com - ou sem piolhos - deve sempre ser respeitada, aceite e integrada.

É importante que as crianças tenham presente que, quando há uma criança com piolhos a proximidade cabeça a cabeça pode e deve ser evitada, mas que isso não implica excluir ou minimizar uma criança.

No entanto, aquilo que nos preocupa não é o momento em que a criança tem piolhos que tende a existir uma maior cuidado com essas crianças nessa fase, é o momento após uma criança ter piolhos em que, muitas vezes, apesar da situação dos piolhos estar resolvida a criança continua a ser alvo de exclusão e humilhação. É, por isso muito importante, que estejamos atentos a estas situações e que exista o máximo de sensibilização para todas as crianças.



5) É preciso preparar emocionalmente a criança de alguma forma quando apanha piolhos?

Sempre que uma criança está a viver uma situação atípica, seja ela de que ordem for, devemos estar mais atentos ao seu mundo emocional. No caso dos piolhos, como muitas vezes se associa a exclusão social e à humilhação, ainda mais importante é que os adultos à volta da criança fiquem alerta e preparem a criança para tudo aquilo que pode surgir.

Para se fazer esta preparação deve conversar-se com a criança, explicar que os piolhos são contagiosos e que, por isso, algumas crianças podem evitar estar próximas de si, e isso não significa que estejam a excluí-la para a magoar.

Depois, de uma explicação mais prática, devemos ouvir o que a criança sente acerca de tudo isto e permitir-lhe expressar os seus medos e as suas angústias, não lhe fazendo pressão para que abandone esse medos, mas dando-lhe um colo capaz de suportar todos esses medos. É, ainda, essencial que fique claro para a criança que os piolhos apenas estarão na sua cabeça por um tempo limitado e dando-lhe segurança de que será um problema com solução garantida.


6) Se o filho for vítima de bullying por esse motivo, que tipo de ajuda – e instituições – devem os pais recorrer? As escolas também têm responsabilidade em evitar que este tipo de discriminação aconteça?

É essencial que as escolas estejam atentas às crianças e uma situação de bullying em contexto escolar será sempre uma situação a que escola e pais devem estar alerta. No caso da situação se prolongar no tempo, será essencial que pais e escola percebam os motivos pelos quais o bullying se está a perpetuar, de forma a, tomar as medidas necessárias para proteger todas as crianças. Essas medidas vão sempre depender das crianças envolvidas, no entanto, em muitas situações a procura de apoio psicológico pode ser fundamental não só para a criança que sofre bullying, mas também para a criança que pratica bullying, sendo que ambas precisam de ajuda na gestão emocional e na gestão da agressividade.



Excerto de entrevista dada à Revista saúde e bem estar da Auchan.



#escoladosentir

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