Em dia mundial da criança, que futuro queremos ?

Em dia mundial da criança, este ano é importante valorizar não só as crianças mas todas as famílias que, de uma forma ou de outra, fizeram todos os possíveis para continuar a assegurar os direitos das crianças e para conseguirem continuar a promover o seu bem-estar e desenvolvimento de forma estável e equilibrada. Pais que fazem um esforço incomparável para aprenderem Matemática e Ciências, para conseguirem continuar a assegurar o direito à educação das crianças, pais que mesmo terminado o período de desconfinamento continuam a abdicar do seu trabalho para assegurar a proteção e saúde das crianças, pais que pelas dificuldades económicas em que a pandemia os colocou, deixaram de cuidar de si para garantir a alimentação exemplar das crianças e os cuidados médicos que precisam, no fundo, pais que, de forma exímia, deram o melhor de si. Por isso, em dia mundial da criança, é essencial agradecermos a todas as famílias que revelaram estar à altura de qualquer conflito que possa surgir e que revelaram ser pais com alma, coração e colo à prova de todas as balas, garantido sempre o direito ao amor e à compreensão que todas as crianças merecem.

Mas, apesar de tudo isto, em dia mundial da criança é importante não romantizarmos a infância e refletirmos se, perante situações extremas, como por exemplo uma pandemia, a sociedade consegue ser protetora e garantir os direitos de todas as crianças. Uma situação extrema, agudiza de forma abrupta e inesperada as diferenças entre as famílias, as desigualdades e, por muito amor que as famílias tenham, muitas vezes, isso não é suficiente para alimentar, educar e cuidar de uma crianças da forma como merece ser cuidada. Tudo isto se torna mais expressivo nas famílias onde o amor está a soçobrar à violência e temos as crianças que são privadas de todos os direitos. Em circunstâncias normais, essas crianças encontram nas escolas um refúgio, que funciona como uma bolha de oxigénio que permite a estas crianças ter cuidados básico, atenção e amor. E, perante tudo isto, estas crianças perderam o seu refúgio, perderam a sua ligação com quem lhes estende a mão e estão de alguma forma deitadas ao abandono com a sua dor.


Por tudo isto, se a situação se manter como está, o regresso às escolas em Setembro, claro que com os devidos cuidados, é essencial.

Em primeiro lugar, permite que continuemos a assegurar a socialização das crianças, permitindo que criem laços fora do contexto familiar em relações plurais que as fazem desafiarem-se e crescerem. Em segundo lugar, permite que deixemos de exigir o esforço incalculável aos pais de serem professores dos filhos, até porque em circunstância alguma essa é a função de um pai ou de uma mãe e, se fosse, seria uma grande desigualdade para todas as crianças. Em terceiro lugar, garante que todas as crianças tenham espaço para, se precisarem, pedirem ajuda e que, em circunstâncias de maus-tratos, haja sempre alguém próximo para estender a mão a uma criança.


Assim, regressar à escola por muito assustador que possa parecer num primeiro momento, não tem de ser necessariamente atirarmos as crianças para uma alta possibilidade de serem contagiadas, mas, sim, ensinar-lhes que perante o medo, devemos ter cuidados, mas não devemos ficar presos a ele, que perante o medo também é importante agir, para além disso, o regresso à escola, assegura a todas as crianças o direito à igualdade, à liberdade e à vida. Em dia mundial da criança, que todos tomemos consciência que futuro e que direitos queremos assegurar a todas as nossas crianças.


#escoladosentir

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